A ORALIDADE EM SALA DE AULA
“O homem se faz na linguagem e pela linguagem” (Mikhail Bakhtin)
A fala é um instrumento fundamental e essencial para entender o desenvolvimento do homem, no que refere aos seus instintos de desbravador, de curioso, de cientista. Isso se deu pelo fato de suas ações, suas experiências e suas impressões serem transmitidas oralmente de geração a geração numa evolução natural humana. Através da oralidade, os povos conservam uma fonte viva de suas culturas tradicionais.
Sendo assim, percebendo que a fala é mais espontânea e acompanha o homem em suas aventuras desde as épocas mais remotas, como a prática deve valorizar o ensino da oralidade? E por que trabalhar a oralidade se faz importante na prática educativa?
É válido afirmar que trabalhar com a oralidade tem como um dos objetivos desenvolver as habilidades linguísticas de falar e escutar. E, neste sentido, o escutar não pressupõe uma atitude passiva através da qual expressa o respeito pelo interlocutor, mas, principalmente, a observação de toda argumentação, de seu encadeamento e desenvolvimento de ideias e o respeito aos turnos conversacionais. Enfim, sendo a oralidade um valioso instrumento interdisciplinar e a primeira modalidade linguística a ser adquirida pelo indivíduo, faz-se necessário que a escola ponha em relevância o seu papel no processo ensino-aprendizado.
Uma criança desenvolve seu ato comunicativo apenas vendo e convivendo com adultos. Isto significa que, mesmo não fazendo uma leitura de livros ou outras, a mesma consegue comunicar-se. Ela traz consigo uma pré-disposição, uma gênese psicológica que a leva a desenvolver suas habilidades, a partir do momento no qual esta é apresentada às situações de desafios e aprendizagens.
Visto isso e para que haja então uma melhor fundamentação da escrita e para que a promoção de atividades escolares contemple também o interesse por ouvir e manifestar sentimentos, experiências, ideias e opiniões, o trabalho com a oralidade precisa assumir maior ênfase no processo educativo.
As ações educativas tornam o processo mais eficaz ao propiciarem situações dinâmicas e envolventes, através das quais os alunos podem explorar e desenvolver seu instrumento comunicativo e social o qual tem assumido lugares secundários na aprendizagem: a fala.
Através de “rodas de conversa”, por exemplo, nas quais o professor induz os alunos a relatarem suas impressões a respeito dos conteúdos, dos desafios propostos e, até mesmo, a fazerem uma avaliação da aula e das ações assumidas nesta, ou através de verbalização de textos escritos, nos contos, músicas, dentre outras formas, a oralidade pode ser contemplada nas séries iniciais.
Porém é importante que os educadores percebam que estas estratégias serão meios através dos quais irão estimular, indagar, questionar, levar o aluno à curiosidade e, nestes momentos, favorecer o respeito ao espaço do outro, oportunizando os educandos a argumentar e salientar aspectos os quais enriquecem e estimulam a pesquisa e o estudo.
Dependendo do avanço dos anos, através desta observação e prática de conversação, o educador poderá pontuar e contemplar os aspectos linguísticos, gramaticais e semânticos de maneira a tornar-los mais eficazes do que apenas um ensino tradicional e escrito, uma vez que eles estarão em suas situações de uso e adequação linguística.

É fato que sabemos a importância da fala em nossa natureza humana, uma vez que, desde novos, nos comunicamos e, desde o balbucio, sentimos e temos necessidade de falar. É certo também que, enquanto educadores, reconhecemos a importância deste aspecto da linguagem no desenvolvimento educativo e humano do indivíduo. Mas, acima de tudo, é necessário que a discussão acerca desta temática não seja inibida e possibilite novas ações e práticas, realmente, eficazes neste sentido.
O falar e ouvir são fundamentais. É através da fala, da oralidade que compartilhamos ideias, debatemos opiniões, fundamentamos e adequamos os fatores linguísticos os quais contemplamos na escrita.
Lembremo-nos durante nossa ação, no que se refere ao ensino da língua materna, da frase de Bakhtin, a qual ganhou destaque no início deste: “O homem se faz na linguagem e pela linguagem” e busquemos contemplar o trabalho da oralidade como fator essencial em sala de aula, até mesmo para que favoreçamos o desenvolvimento de alunos participativos, críticos e falantes os quais concretizam o fator sócio-comunicativo da linguagem.
Raphaela Radaeli dos Santos
Professora do 2º ano do Ensino Fundamental
Graduada em Letras (Português/Literatura)
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