EDUCAÇÃO ESCOLAR: UMA ANÁLISE PARA RESGATAR E IMPLEMENTAR VALORES

Os desafios que as novas tecnologias trazem para os educadores

Durante muito tempo a escola ensinou que a memorização era suficiente para validar a aprovação dos alunos nas disciplinas. Conhecer nomes, datas, memorizar conceitos prontos e fórmulas fazia parte do cotidiano dos alunos e, nas avaliações, as questões buscavam priorizar estes conteúdos. Não que na última década tivemos problemas com a formação dos alunos que saiam da Educação Básica e acessavam as universidades. Pelo contrário, o sistema atendia bem aquilo que se exigia no mundo daquela época. Também não podemos esquecer que não faz tanto tempo assim, mas com a era da informatização e com a chegada do acesso fácil à informação em qualquer parte do planeta, apenas memorizar e repetir tornou-se uma ação sem sentido. Em qualquer lugar obtemos a informação com facilidade. Mas de que forma fazemos o uso destes conteúdos?

A sociedade exige cada vez mais um profissional capaz de ter um bom relacionamento no local de trabalho, capaz de buscar e compreender a informação mais facilmente e desenvolver as atividades no menor espaço de tempo. Convencer o aluno de que estudar é mais interessante e produtivo do que outras atividades que ele dispõe em sua casa tornou-se um obstáculo na vida de pais e educadores.

Pensemos um pouco do que não tínhamos há quinze anos: internet, celulares com toda sua multimídia, tocadores eletrônicos de músicas, câmeras digitais, games, tv a cabo, etc. Permanecer cinco horas na escola pode parecer uma das últimas opções para o adolescente que busca por algo de novo e atraente. O que acontece é que os atrativos da nova sociedade e os seus apelos por tantas outras opções de falsa felicidade invadem o dia-a-dia dos nossos alunos e os nossos também. Muitos pensam que depois de aprender a ler e a fazer alguns cálculos estariam aptos para compreender um novo mundo que oferece facilidades de acesso à profissionalização ou a uma formação inacabada.

Qual será o futuro destes novos profissionais no mercado de trabalho? E qual a função escola como instituição séria de formação do cidadão pronto para o mundo que o espera?

Na verdade, espera-se muito da escola que hoje concorre em desigualdade com o restante da sociedade. Em contrapartida, a escola também espera da família a participação em suas atividades, já que a educação está inserida num projeto maior de parceria e de troca.

Avaliando o modo como vivemos, não temos como recusar a vida mais confortável que as novas tecnologias nos proporcionam. Afinal, o homem evolui, de modo geral, porque o conhecimento parte da família em direção à escola e, futuramente, à profissionalização. Mas, hoje, o conhecimento nunca esteve somente na escola. E muitos educadores esquecem-se disso.

A educação brasileira não vai muito bem. As pesquisas mostram que os alunos egressos dos cursos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio estão abaixo das médias de aproveitamento dos outros países com índice de desenvolvimento menor do que o nosso.

Tendo em vista esta realidade, muitos pesquisadores buscam por soluções implementando novas metodologias de ensino que envolvem desde a elaboração de questões até a inovação com diversos recursos para seleção de conteúdos e de trabalho em sala de aula. Muitas instituições implementam atualmente cursos de formação continuada para a atualização dos seus professores e discussão dos principais problemas que atormentam a vida dos profissionais de educação.

Muitos projetos estão sendo discutidos visando à melhoria do nível de desenvolvimento da educação. Mas temos muito que avaliar e observar para que o conteúdo produzido nas escolas torne-se um conhecimento sólido e real.
O mundo evolui a passos largos, mas a educação continua centrada nas heranças tradicionais do passado. Conter o avanço tecnológico e os atrativos de toda uma sociedade que caminha em busca de facilidades não será possível. A escola tem que se adequar ao novo panorama em que ela se insere e os educadores precisam observar que, além da necessidade da exigência da memorização de certos conteúdos, a aprendizagem ultrapassa os muros da repetição.

Quem não se adaptar às novas condições estará sujeito a ser ignorado pelo maior cliente da educação: o aluno. E, como consequência disto, teremos índices de evasão escolar e de repetição cada vez maiores e futuros profissionais inadequados às necessidades do mercado de trabalho.

Prof. Jorge Barbosa Nunes
Professor de Química do Ensino Médio e Coordenador do Curso Técnico em Química

 

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